Encontro Internacional de Projetistas, Incorporadores e Construtores 2008






        Com a presença de 250 profissionais do mercado da construção, representando 23 cidades, 12 Estados e as mais significativas instituições e empresas brasileiras (projetistas, incorporadoras, construtoras, consultoras, fabricantes, prestadoras de serviços), aconteceu, no último dia 10 de abril, o Encontro Internacional de Projetistas, Incorporadores e Construtores, realizado pelo CTE – Centro de Tecnologia de Edificações.

        O objetivo do Encontro foi o de discutir o novo papel estratégico do projeto no mercado imobiliário atual, tendo em vista as novas questões que se apresentam devido a um momento bastante acelerado e aquecido do setor.

        Pela manhã, houve a abertura do evento pelo CTE – posicionando o mercado atual e a importância que o projeto passa a ter para os negócios imobiliários – e a palestra dos arquitetos da “HOK – Ideas Work”, convidados internacionais que trouxeram a experiência de um escritório de projetos globalizado. À tarde, aconteceram três painéis, em que palestrantes brasileiros abordaram essencialmente os seguintes temas: os novos modelos de gestão de projetos, o projeto como elemento estratégico no desenvolvimento de novos negócios imobiliários e o projeto como elemento de minimização do risco técnico dos empreendimentos.

        No final, foram destacados os principais pontos debatidos no Encontro, que merecem, daqui para frente, serem analisados e trabalhados, a fim de que soluções eficazes e integradas sejam implantadas no setor da construção.

        No Encontro, consenso quanto ao momento atual e diagnóstico do setor Durante o Encontro, as análises quanto ao momento atual do mercado demonstraram um consenso entre TODOS os palestrantes nacionais em relação ao seguinte diagnóstico setorial:

        • O projeto assume um papel estratégico no mercado aquecido, pois influi fortemente na concepção do produto imobiliário, condicionando a velocidade de vendas. É também essencial na etapa de obras, pois condiciona a qualidade, a produtividade e os custos de construção.
        • A diferenciação de produto e a inovação em projeto criam vantagens competitivas para as incorporadoras, fundamentais neste momento de muita oferta de produtos similares.
        • A complexidade na aprovação de projetos tem aumentado em todas as regiões do Brasil, face ao excessivo número de leis e normas e ao grande número de órgãos envolvidos no âmbito federal, estadual e municipal.
        • O setor de projetos está extremamente fragmentado no Brasil, com um grande número de especialidades, o que torna o processo complexo, demorado e sujeito a falhas.
        • Os escritórios de projeto estão com sua capacidade plena de funcionamento, atendendo a um grande número de clientes, o que implica no aumento de riscos de gestão interna, cumprimento de prazos e qualidade do projeto. • Incorporadoras, construtoras e empresas de projeto têm hoje em seus quadros um grande número de jovens profissionais com qualificação deficiente.
        • Diante deste cenário, é fundamental a formação, capacitação e treinamento de pessoal, a fim de criar competências que possibilitem conduzir as atividades de incorporação, projeto e construção de forma segura.

        As principais conclusões: tendências e caminhos da construção

        Tanto a palestra internacional da HOK, quanto as intervenções nacionais, apontaram para algumas tendências e caminhos a serem seguidos pela construção. Essas são as principais conclusões do Encontro:

        • A sustentabilidade é tendência mundial. É, portanto, fundamental que o projeto incorpore em sua concepção as questões relativas à eficiência energética, economia de água, paisagismo, uso de materiais reciclados, gestão de resíduos, coleta seletiva do lixo e conforto ambiental: térmico, acústico e lumínico.
        • Trabalhar com projetos sustentáveis é uma questão de atitude, de ampliação de visão e de criação de valor para o cliente, para a sociedade e para o meio ambiente. Os aumentos de custos de construção de um projeto sustentável são rapidamente diluídos e compensados na fase de uso e operação dos empreendimentos, pois os custos condominiais se reduzem.
        • Face ao aumento da complexidade legal para aprovação de projetos, em especial na cidade de São Paulo, será preciso cada vez mais atuar de forma estratégica em relação à legislação, identificando-se os melhores caminhos legais para a aprovação de projetos e potencializando-se, de forma inovadora, áreas disponíveis na cidade, destinadas a usos específicos.
        • A tecnologia de informação, em especial os aplicativos WEB e os softwares baseados na metodologia BIM – Building Information Management, se constituem em instrumentos essenciais para o desenvolvimento de projetos, gerando: alta sinergia entre os agentes, trabalho em 3D e simulação de custos de construção a partir de diferentes alternativas, possibilitando, de forma ágil e precisa, a tomada de decisões.
        • A gestão do processo de projeto precisa de instrumentos mais eficientes no que se refere ao planejamento e controle do grande número de empreendimentos em desenvolvimento no mercado. As ferramentas do PMI – Project Management Institute mostram-se bastante apropriadas para o gerenciamento de projetos, pois contemplam as diferentes etapas do processo e estão focadas na gestão do escopo, integração, comunicação, qualidade, custos, prazos, aquisições, recursos humanos e riscos.
        • O projeto precisa incorporar novas tecnologias de construção, que permitam a redução do ciclo do empreendimento, em especial a redução dos prazos de construção, com o objetivo de melhorar a rentabilidade e o desempenho financeiro dos empreendimentos e das empresas incorporadoras.
        • É preciso urgentemente que as empresas e as entidades do setor criem programas de formação, capacitação e treinamento profissional, a fim de melhorar a qualificação dos profissionais e criar novas competências necessárias ao enfrentamento dos desafios do mercado atual. A Universidade Corporativa da Construção, concebida pelo CTE, pode ser um destes instrumentos de qualificação profissional.
        • É necessário também que o setor da construção estabeleça um Fórum de discussão, criando mecanismos e espaços para a reflexão e o debate constante, a fim de evitar retroceder na história e em suas conquistas, minimizar os riscos técnicos, manter a estabilidade dos processos e a qualidade do produto e, em sinergia, buscar os seus novos paradigmas.